Deixei a verdade de lado tempos atrás.
Vivi bem assim, ignorando esses nomes que não fazem sentido.
Depois me enchi de pequenas mentiras.
A verdade bateu em minha porta.
E a cada vez que eu ia em sua direção ela mudava de lugar.
Sentei.
Olhei.
Não havia nada.
Nem mesmo o sorriso do gato da Alice.
A verdade não existe.
A lógica é um romance chato.
Eu olho para minha pele e descubro o mundo.
Olho para os meus olhos e vejo o quanto eles deram colorido a tudo.
Prefiro pensar que a beleza está neles.
Deixemos os porcos debatendo sobre a sujeira.
eu cago conchinhas sou merda detergente sabão em pó e um monte de coisas e situações nas quais nos dirigimos ao grande deus supermercado e deixamos lá muita diarréia noites mal dormidas pensamentos obscenos pensamento nenhum o câncer do vazio existencial que come corpinhos gostosos em punhetas pobremente gozadas e mais um monte de preciosidades que tenho, porcarias que não significam nada para ninguém. A idéia é apenas ser consumido pelo fogo do capital, comendo pequenos príncipes pela manhã, quando lemos na xícara nova que somos responsáveis por quem cativamos. Bisbilhotem o seus filhos, não contem nada! Devore-os de longe. Consuma-os. Bisbilhotem.
Deus.
Eu sou aquele homem de plástico ali queimando.
Deus.
Eu sou aquele homem de plástico ali queimando.
Vejo minha irmã dançando uma música minha. Ela dança de um jeito que me dá prazer de olhar, como se ela fosse impulsionada pela batida e não tivesse outra opção além de balançar o corpo. Ela me olha e sinto um veneno que só as mulheres da minha família têm. Eu crio monstros que ficam maiores do que minha testa. Crio aberrações que me perseguem por anos. O que pensei ser exorcismo é apenas maldição. A música é um castigo.
Dourado
Após
cada inspirada mais grave,
cada tentiva de sabotagem,
cada olhar torto sobre o mundo,
cada pulga atrás da orelha,
cada insatisfação com a humanidade,
cada desejo de anulação,
me dá um sorriso doce e sábio,
me deixa acreditar em tudo aquilo
que tenta se desgrudar das minhas mãos
mais uma vez.
O mundo é dourado.
cada inspirada mais grave,
cada tentiva de sabotagem,
cada olhar torto sobre o mundo,
cada pulga atrás da orelha,
cada insatisfação com a humanidade,
cada desejo de anulação,
me dá um sorriso doce e sábio,
me deixa acreditar em tudo aquilo
que tenta se desgrudar das minhas mãos
mais uma vez.
O mundo é dourado.
Mr. Lonely
Acabei de assistir Mr. Lonely e ainda estou chocado com as ovelhas sendo mortas pelos personificadores e pelas freiras voando. "You will always be who you are. And you are Michael Jackson". Marteladas. E lá se vai o ex-Michael em sua motoquinha. As freiras morrem.
Tenho um amigo que resolveu ignorar os anos bissextos. No momento ele dorme ao meio dia e acorda às vinte e duas. Para ele o dia tem menos de vinte e quatro horas e foda-se.
Conheço um cara que faz inimizade se dizendo amigo, que cria confusão falando de paz. Que mendiga dizendo que não vai se sujeitar a ficar mendigando por aí, mas alguém tem dez centavos para arrumar para ele?
Tenho um amigo que resolveu ignorar os anos bissextos. No momento ele dorme ao meio dia e acorda às vinte e duas. Para ele o dia tem menos de vinte e quatro horas e foda-se.
Conheço um cara que faz inimizade se dizendo amigo, que cria confusão falando de paz. Que mendiga dizendo que não vai se sujeitar a ficar mendigando por aí, mas alguém tem dez centavos para arrumar para ele?
Salami Awards
Queria ser rico para encher o bolso dos meus amigos. Retribuir um pouco as pérolas com as quais venho sendo presenteado nessas três décadas de existência. Daria uma grana para um amigo só por ter chamado a um outro amigo de homem-concha, tamanha quantidade de pérolas que esse soltava. Daria mais uma grande quantidade de grana para um outro por ter me ensinado que existe algo chamado "projeção" em psicologia, o que me dá muitas horas de sono a mais. E daria mais uma grana para um outro amigo, pois inventamos juntos o Salami Awards (o mais salame leva um salame na bunda no final do ano).
Aceitamos indicações.
Aceitamos indicações.
inferno.
provavelmente deixou essa merda aí jogada só para provocá-la só para infernizar um pouquinho mais esse inferno. provavelmente ele deve ter desaprovado o lugar onde essa merda deveria estar achando que essa merda deveria estar em outro lugar. ele com essa mania de arrumação tem mania de desarrumar mais ainda as coisas e nos olhar com raiva muita raiva.
Eu e meu atavismo pulamos a coisa no chão.
Ela simplesmente a recolhe.
E nem é a casa dela.
provavelmente deixou essa merda aí jogada só para provocá-la só para infernizar um pouquinho mais esse inferno. provavelmente ele deve ter desaprovado o lugar onde essa merda deveria estar achando que essa merda deveria estar em outro lugar. ele com essa mania de arrumação tem mania de desarrumar mais ainda as coisas e nos olhar com raiva muita raiva.
Eu e meu atavismo pulamos a coisa no chão.
Ela simplesmente a recolhe.
E nem é a casa dela.
Cândida
como é bom ser megalomaníaco e sarcástico quando os inimigos começam a fazer merda na trincheira que eles cavaram no jardim de casa! daqui eu vejo a agitação e aqueles gritos de guerra abafados pelas noites sem dormir. se quisessem se sentar na varanda e tomar um café, conversar que nem gente, ouvirem um pouco... mas são só feras, hordas bárbaras que uivam no meio da noite e não deixam ninguém dormir em paz. Um Goebbels bêbado e manco manda mensagens tolas, querendo nos insultar com bobagens contrárias ao que dizia meses atrás. Who controls the past... My ass!
Daqui eu vejo bandeiras diversas: símbolos piratas, cristãos, gays. Vejo Burroughs com uma camiseta "Drogas, tô fora". Vejo a bandeira do Irã e dos Estados Unidos da América entrelaçadas. Vejo Mahmoud Ahmdinejad desculpando Henry Sobel pelas gravatas roubadas. Vejo meninos bonitos sendo banhados com cândida guardada em um frasco enorme de perfume francês. Ao lado, pilhas de meninos sem cor.
Mas eu já havia ligado para Telhanorte. Amanhã chega o caminhão de cimento e essa porra toda acaba.
Daqui eu vejo bandeiras diversas: símbolos piratas, cristãos, gays. Vejo Burroughs com uma camiseta "Drogas, tô fora". Vejo a bandeira do Irã e dos Estados Unidos da América entrelaçadas. Vejo Mahmoud Ahmdinejad desculpando Henry Sobel pelas gravatas roubadas. Vejo meninos bonitos sendo banhados com cândida guardada em um frasco enorme de perfume francês. Ao lado, pilhas de meninos sem cor.
Mas eu já havia ligado para Telhanorte. Amanhã chega o caminhão de cimento e essa porra toda acaba.
Hoje é dia de abençoar o Sarcasmo.
Hoje é dia de prestar atenção em novelas.
Hoje é dia de assistir Beckett e rir do público pagante.
Hoje é dia de tirar o peso das costas.
Hoje é dia de lavar os demônios que vivem no quintal.
Hoje é dia de rir das bobagens que cometi.
Faça o que tu queres, está tudo na Constituição oitenta e oito.
(lembro do Ulysses fazendo o juramento com a mão esquerda)
Hoje é dia de alimentar a Vaidade.
Hoje é dia de se divertir com contradições e hipocrisia.
Hoje é dia de escrever errado.
Hoje é dia de tirar o peso das costas.
Hoje é dia de fazer trocadilhos com nossos nomes.
Hoje é dia de rir da dor dos outros.
Faça o que tu queres, está tudo na Constituição da Reles Púbica
Fede a latrina do Burajiru.
Promulgada goela abaixo em 5 de Outubro de mil novecentos e oitenta e oito.
(lembro do Ulysses fazendo o juramento coçando o saco)
Hoje é dia de assistir adolescentes bonitos envelhecendo.
Hoje é dia de análise no balcão do bar.
Hoje é dia de ver gente tomando veneno.
Hoje é dia de comer de tudo.
Hoje é dia de colocar toda nossa esperança nos outros.
Hoje é dia de rir de quem nos tem ofendido.
Do what thou wilt shall be the hole of Blakie Lawless do W.A.S.P.
Clique aqui e em cinco minutos ache o amor da sua vida.
Hoje é dia de prestar atenção em novelas.
Hoje é dia de assistir Beckett e rir do público pagante.
Hoje é dia de tirar o peso das costas.
Hoje é dia de lavar os demônios que vivem no quintal.
Hoje é dia de rir das bobagens que cometi.
Faça o que tu queres, está tudo na Constituição oitenta e oito.
(lembro do Ulysses fazendo o juramento com a mão esquerda)
Hoje é dia de alimentar a Vaidade.
Hoje é dia de se divertir com contradições e hipocrisia.
Hoje é dia de escrever errado.
Hoje é dia de tirar o peso das costas.
Hoje é dia de fazer trocadilhos com nossos nomes.
Hoje é dia de rir da dor dos outros.
Faça o que tu queres, está tudo na Constituição da Reles Púbica
Fede a latrina do Burajiru.
Promulgada goela abaixo em 5 de Outubro de mil novecentos e oitenta e oito.
(lembro do Ulysses fazendo o juramento coçando o saco)
Hoje é dia de assistir adolescentes bonitos envelhecendo.
Hoje é dia de análise no balcão do bar.
Hoje é dia de ver gente tomando veneno.
Hoje é dia de comer de tudo.
Hoje é dia de colocar toda nossa esperança nos outros.
Hoje é dia de rir de quem nos tem ofendido.
Do what thou wilt shall be the hole of Blakie Lawless do W.A.S.P.
Clique aqui e em cinco minutos ache o amor da sua vida.
Respiro.
E perverto as palavras.
Vou cantar com o Milton.
Que o beija-flor me chamou
de nó-o-ia.
Vejo graça,
nesse mundo.
novamente.
O que for pouco eu não quero.
Quero isso tudo o que tenho agora
desmedidamente
a cada segundo.
E se não tiver me farei de coitado sim
só esperando por um afago.
esse é nosso jogo
essas são nossas regras
nossas personagens.
E perverto as palavras.
Vou cantar com o Milton.
Que o beija-flor me chamou
de nó-o-ia.
Vejo graça,
nesse mundo.
novamente.
O que for pouco eu não quero.
Quero isso tudo o que tenho agora
desmedidamente
a cada segundo.
E se não tiver me farei de coitado sim
só esperando por um afago.
esse é nosso jogo
essas são nossas regras
nossas personagens.
Alvo fácil.
De um tempo que ficou para trás.
Quando os bons textos ficavam em livros
ensebados e cheios de pó.
Ridículo romântico.
Rotulo a rótula.
Rotten. Rot werden com ratas.
Romanos e Neros
Reginas e romances ruins.
Shega!
Xamou-me como uma shamã.
O meu coração. Puff.
Batia para fora.
Sento e olho para fora.
Lá.
O mundo parece um lugar bem melhor para se viver.
Shamas?
Shega!
Shalom. Acostumando-se.
De um tempo que ficou para trás.
Quando os bons textos ficavam em livros
ensebados e cheios de pó.
Ridículo romântico.
Rotulo a rótula.
Rotten. Rot werden com ratas.
Romanos e Neros
Reginas e romances ruins.
Shega!
Xamou-me como uma shamã.
O meu coração. Puff.
Batia para fora.
Sento e olho para fora.
Lá.
O mundo parece um lugar bem melhor para se viver.
Shamas?
Shega!
Shalom. Acostumando-se.
Traumas de guerra
Eu poderia simplesmente nadar nessa piscina de clichês.
Tantos, milhares.
Todos fazem sentido.
Nada é por acaso.
Mas não me arrependerei dos diamantes que dei aos porcos.
Não acreditarei mais na psicóloga perguntando sobre meus pais.
Nem em todos esses ditos que insistem em deixar tudo no zero a zero.
Vou beber esse vinho que recebi.
Por mais que hoje o queiram de volta.
Eu me lembro.
Ele tinha um gosto bom.
Mas tudo o que estava a sua volta tentava deixá-lo azedo.
Coloquei uma rolha e mergulhei nos lençóis da mediocridade.
Deixei-me guiar por mares sempre antes navegados.
E, como no reclame de uma novela, antevi tudo o que aconteceria.
Voltei mais seco de uma terra fria.
Acreditando que todo terrorismo poético poderia ser executado com uma conta azul no banco.
Finjo que não temo.
Fechei os olhos para o que me protegia.
E quando o reabri me encontrei sozinho.
Vi que tudo era virgem.
Mas eu tinha as mãos sujas demais para tocar algo puro
que desejava transgressão.
Uma revolução no shopping center.
Ou um repúdio ao mundo da moda usando roupas bonitas.
Apenas o amanhecer triste de uma noite sem dormir.
Forcei o mundo.
Me disseram para esperar.
Lutei por causas que considerava perdidas.
Enchi-me de cicatrizes.
Acumulei traumas de guerra.
Virei um monstro.
Mas tinha remorso.
Um monstro tolo.
De coração grande.
Mas que andava por aí lançando excremento.
Maldita culpa católica atéia!
Peso sobre as costas.
Sem nenhuma fé que conforte.
Olho para trás cansado.
Meu coração bate pesado.
Ouço uma música de uma cantora que não gosto.
E me delicio com cada nota que sai de sua boca.
Manhãs.
Cortinas ineficientes.
Casa fria, mas me sinto aquecido como nunca.
Tenho marcas em mim que não saem.
Ainda bem.
Tantos, milhares.
Todos fazem sentido.
Nada é por acaso.
Mas não me arrependerei dos diamantes que dei aos porcos.
Não acreditarei mais na psicóloga perguntando sobre meus pais.
Nem em todos esses ditos que insistem em deixar tudo no zero a zero.
Vou beber esse vinho que recebi.
Por mais que hoje o queiram de volta.
Eu me lembro.
Ele tinha um gosto bom.
Mas tudo o que estava a sua volta tentava deixá-lo azedo.
Coloquei uma rolha e mergulhei nos lençóis da mediocridade.
Deixei-me guiar por mares sempre antes navegados.
E, como no reclame de uma novela, antevi tudo o que aconteceria.
Voltei mais seco de uma terra fria.
Acreditando que todo terrorismo poético poderia ser executado com uma conta azul no banco.
Finjo que não temo.
Fechei os olhos para o que me protegia.
E quando o reabri me encontrei sozinho.
Vi que tudo era virgem.
Mas eu tinha as mãos sujas demais para tocar algo puro
que desejava transgressão.
Uma revolução no shopping center.
Ou um repúdio ao mundo da moda usando roupas bonitas.
Apenas o amanhecer triste de uma noite sem dormir.
Forcei o mundo.
Me disseram para esperar.
Lutei por causas que considerava perdidas.
Enchi-me de cicatrizes.
Acumulei traumas de guerra.
Virei um monstro.
Mas tinha remorso.
Um monstro tolo.
De coração grande.
Mas que andava por aí lançando excremento.
Maldita culpa católica atéia!
Peso sobre as costas.
Sem nenhuma fé que conforte.
Olho para trás cansado.
Meu coração bate pesado.
Ouço uma música de uma cantora que não gosto.
E me delicio com cada nota que sai de sua boca.
Manhãs.
Cortinas ineficientes.
Casa fria, mas me sinto aquecido como nunca.
Tenho marcas em mim que não saem.
Ainda bem.
Língua
Devia ter por volta de uns oito anos. Estava sentado, com meu tio, tia e primos. O Márcio, primo meu que foi como o irmão que eu não tive, perguntou para meu tio, pai dele, porque os adultos gostavam de sabores que as crianças achavam ruins. Meu tio Mauro, que nunca dava (deu) o braço a torcer na nossa frente, começou com uma explicação pseudo-científica pra lá de boa, dizendo que a língua envelhecia e com isso o paladar mudava. Era uma época em que meu pai já começava a deixar de ser o cara mais forte do mundo, mas eu ainda assim ouvia os mais velhos com profunda admiração, como seu eles soubessem de tudo.
Aquilo, do paladar mudar com o tempo, nunca me saiu da cabeça.
Redescobri sabores puros. Que só eu consigo perceber.
Aquilo, do paladar mudar com o tempo, nunca me saiu da cabeça.
Redescobri sabores puros. Que só eu consigo perceber.
Confusão
Ela me diz que sou um filho de uma puta, pois consigo tudo o que quero.
Isso me assusta. Vejo isso como maldição. Um toque do Rei Midas. E em pensar que foi Dionísio que quis lhe castigar. Estremeço. Penso que se eu não tivesse nada do que quero seria melhor. Sei que não. Sei que ficaria angustiado com a ausência. Mas é a exuberância que me faz baixar a cabeça quando é hora de olhar para cima e caminhar com o peito estufado. Tudo errado. Um grande equívoco.
Penso nele dançando e fazendo mais um de seus trocadilhos infames. Vale a pena tudo isso? Queria ter um sopro para lhe soprar tudo o que o torna agradável. Apenas para que ele conseguisse dormir em paz, em um horários que nós, medíocres, consideraríamos normal. Só queria que ele dormisse. Ele poderia se tornar o mais chato se fizesse isso.
Ela me dizia que eu pensava nos problemas do mundo. Ela tinha razão. Hoje eu sei o quanto é difícil eu cuidar dos meus próprios problemas. Tenta-se tudo nessa vida e são poucos aqueles que entendem. Também são com poucos que os desejos não irão se chocar. Me lembro daquela noite fria naquele sítio. Ele dizia que não adianta exigir gratidão de ninguém. E nessas horas discordo da minha leitura simplificadora de Wittgenstein. Talvez a linguagem seja mais do que o uso que damos a ela. Talvez exista processos mentais reais operando em cada sílaba que estala em nossa boca. Talvez um "grato" se torne um "grato", um "bom dia" em um "bom dia". Simples e complicado assim.
Penso nas minhas conversas com ele e como a minha vontade é ficar quieto para sempre. Não faz sentido prolongar o diálogo, pois é sempre essa conclusão que chegamos. Não se sustenta. Não conhecemos nada.
Penso NELA e tudo estufa dentro de mim. A olho e percebo que as coisas são bem mais simples do que parecem. Ela sorri, me esqueço da finitude de tudo. Vivo isso aqui. Sem cortes. Sem atalhos.
Só a presença.
E isso é o topo.
Isso me assusta. Vejo isso como maldição. Um toque do Rei Midas. E em pensar que foi Dionísio que quis lhe castigar. Estremeço. Penso que se eu não tivesse nada do que quero seria melhor. Sei que não. Sei que ficaria angustiado com a ausência. Mas é a exuberância que me faz baixar a cabeça quando é hora de olhar para cima e caminhar com o peito estufado. Tudo errado. Um grande equívoco.
Penso nele dançando e fazendo mais um de seus trocadilhos infames. Vale a pena tudo isso? Queria ter um sopro para lhe soprar tudo o que o torna agradável. Apenas para que ele conseguisse dormir em paz, em um horários que nós, medíocres, consideraríamos normal. Só queria que ele dormisse. Ele poderia se tornar o mais chato se fizesse isso.
Ela me dizia que eu pensava nos problemas do mundo. Ela tinha razão. Hoje eu sei o quanto é difícil eu cuidar dos meus próprios problemas. Tenta-se tudo nessa vida e são poucos aqueles que entendem. Também são com poucos que os desejos não irão se chocar. Me lembro daquela noite fria naquele sítio. Ele dizia que não adianta exigir gratidão de ninguém. E nessas horas discordo da minha leitura simplificadora de Wittgenstein. Talvez a linguagem seja mais do que o uso que damos a ela. Talvez exista processos mentais reais operando em cada sílaba que estala em nossa boca. Talvez um "grato" se torne um "grato", um "bom dia" em um "bom dia". Simples e complicado assim.
Penso nas minhas conversas com ele e como a minha vontade é ficar quieto para sempre. Não faz sentido prolongar o diálogo, pois é sempre essa conclusão que chegamos. Não se sustenta. Não conhecemos nada.
Penso NELA e tudo estufa dentro de mim. A olho e percebo que as coisas são bem mais simples do que parecem. Ela sorri, me esqueço da finitude de tudo. Vivo isso aqui. Sem cortes. Sem atalhos.
Só a presença.
E isso é o topo.
Caveiras
Meu gosto por caveiras é resultante da minha certeza que não vivemos sem máscaras. A última máscara são nossos músculos faciais, sem eles a vida não se sustenta. Usar máscaras é um dom que apenas nós, humanos, temos. Nós SOMOS essas máscaras. Elas podem ser a mais pura verdade, mas não deixam de ser máscaras. Sem elas somos ossos expostos.
Sr. F.
Acho que meu medo em tornar-me seu amigo novamente não passa de um desejo de não querer olhar para o abismo mais uma vez. Esse flerte com um satã suburbano, essa piada de encontrar um alinhamento entre os prédios de nosso bairro... tudo isso me cansou. A verdade é que somos apenas sociopatas frustrados, esperando que a desordem chegue, mas com essa preguiça movida a cannabis ficaríamos apenas olhando o sangue de crianças escorrendo pela rua através da sacada suja de sua casa.
Essas técnicas medievais de espionagem, essa pseudo-KGB de quintal, só me mostram o quanto somos tolos. Sabe, você nunca leu aquele livro que sempre te recomendamos, O Pêndulo de Foucault. Mas eu serei um bom spoiler e te contarei o final: o segredo é não haver segredo algum. Pronto, te contei. E saiba que isso não te tira a necessidade de lê-lo. Ter um acessor para ler livros para você está no mesmo nível de arrumar um amante para sua mulher. Mas, volto, essa lição sobre "o segredo" é difícil de ser aprendida. Hoje tenho toda a verdade jogada na minha cara, quase como um furúnculo que me surgiu na testa e que não posso esconder.
O médico pediu para que eu não colocasse a mão. Eu cago, não lavo a mão e cutuco a ferida. Depois choro copiosamente.
Essas técnicas medievais de espionagem, essa pseudo-KGB de quintal, só me mostram o quanto somos tolos. Sabe, você nunca leu aquele livro que sempre te recomendamos, O Pêndulo de Foucault. Mas eu serei um bom spoiler e te contarei o final: o segredo é não haver segredo algum. Pronto, te contei. E saiba que isso não te tira a necessidade de lê-lo. Ter um acessor para ler livros para você está no mesmo nível de arrumar um amante para sua mulher. Mas, volto, essa lição sobre "o segredo" é difícil de ser aprendida. Hoje tenho toda a verdade jogada na minha cara, quase como um furúnculo que me surgiu na testa e que não posso esconder.
O médico pediu para que eu não colocasse a mão. Eu cago, não lavo a mão e cutuco a ferida. Depois choro copiosamente.
Assinar:
Postagens (Atom)
Twitter / droeee
Arquivo do blog
- janeiro (8)
- fevereiro (3)
- junho (6)
- julho (21)
- agosto (18)
- setembro (7)
- outubro (2)
- novembro (4)
- dezembro (3)
- janeiro (9)
- fevereiro (10)
- março (4)
- maio (3)
- junho (4)
- julho (7)
- agosto (12)
- setembro (8)
- outubro (1)
- abril (2)
- maio (1)
- julho (2)
- agosto (1)
- dezembro (2)
- janeiro (2)
- fevereiro (3)
- abril (2)
- junho (1)
- novembro (2)
- abril (2)