Traumas de guerra

Eu poderia simplesmente nadar nessa piscina de clichês.
Tantos, milhares.
Todos fazem sentido.
Nada é por acaso.
Mas não me arrependerei dos diamantes que dei aos porcos.
Não acreditarei mais na psicóloga perguntando sobre meus pais.
Nem em todos esses ditos que insistem em deixar tudo no zero a zero.
Vou beber esse vinho que recebi.
Por mais que hoje o queiram de volta.
Eu me lembro.
Ele tinha um gosto bom.
Mas tudo o que estava a sua volta tentava deixá-lo azedo.

Coloquei uma rolha e mergulhei nos lençóis da mediocridade.
Deixei-me guiar por mares sempre antes navegados.
E, como no reclame de uma novela, antevi tudo o que aconteceria.

Voltei mais seco de uma terra fria.
Acreditando que todo terrorismo poético poderia ser executado com uma conta azul no banco.
Finjo que não temo.
Fechei os olhos para o que me protegia.
E quando o reabri me encontrei sozinho.

Vi que tudo era virgem.
Mas eu tinha as mãos sujas demais para tocar algo puro
que desejava transgressão.
Uma revolução no shopping center.
Ou um repúdio ao mundo da moda usando roupas bonitas.

Apenas o amanhecer triste de uma noite sem dormir.

Forcei o mundo.
Me disseram para esperar.
Lutei por causas que considerava perdidas.
Enchi-me de cicatrizes.
Acumulei traumas de guerra.
Virei um monstro.
Mas tinha remorso.
Um monstro tolo.
De coração grande.
Mas que andava por aí lançando excremento.

Maldita culpa católica atéia!
Peso sobre as costas.
Sem nenhuma fé que conforte.

Olho para trás cansado.
Meu coração bate pesado.
Ouço uma música de uma cantora que não gosto.
E me delicio com cada nota que sai de sua boca.

Manhãs.
Cortinas ineficientes.
Casa fria, mas me sinto aquecido como nunca.
Tenho marcas em mim que não saem.
Ainda bem.

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