Amor

Marquei todos os nomes dos seus amigos, amantes, ex-namorados. Do seu ex-marido. Botei uma porta com ferrolho no porão para você não ver que tenho a foto deles na parede. Tenho os telefones de todos guardados na minha cabeça. Se você quiser, repito tudo de trás pra frente. Quer que eu fale a soma deles? O produto? Tenho o endereço de todos marcados num grande mapa no teto do porão. Queria ter traçado um pentagrama, mas não consigo imaginar uma estrela com tantas pontas assim. Foda-se. Vou arrancar os olhos deles, assim só os meus terão te visto.
Eu te amo, meu amor.

Nero (auto-sabotagem)

Nero chega em Roma vindo de uma longa viagem. Seus olhos me prometem algo. Digo que estou pronto para lhe servir, no quarto ao lado. Dias depois Nero me conta seus planos. Deseja queimar Roma. Nero anseia por destruição. Ele não menciona o que fará depois, mas tento traduzir seu olhar. Amo Nero. Expulso minha família de casa. Digo que a cidade está pronta para arder. Nero diz que me ama. Meus filhos marcham para fora da cidade. Começo o incêndio pela minha rua. Nero assiste ao incêndio de sua sacada. Sinto o cheiro da carne queimando e meus sentimentos se confundem. Penso na minha família. Os quero longe, mas desejo-lhes sorte. Nero olha tudo, entediado. Tento animá-lo, ele me olha, oscilando entre uma ternura ociosa e desdém. Incentivo-lhe. Ele vira as costas para mim. Roma queima. Acordo um dia depois, embriagado com a fuligem. Soldados batem na minha porta, acidentalmente, enquanto correm por entre os corredores do palácio. Coloco o ouvido na porta e ouço rumores de que Nero está doente. Choro baixo. Lavo o rosto e me apresento às portas dos aposentos de Nero. Não me deixam entrar. Grito com toda minha força que o amo. Que estou pronto para lhe servir. Roma queima. Um peregrino me informa, dias depois, que avistou meus filhos perdidos. Ele me diz que mostrou-lhes um caminho, que os guiou até uma cidade longe dali. Me pede desculpas, confessando que os aconselhou a ficarem longe de mim, esquecerem que sou o pai deles. Agradeço. A cidade me odeia. Amo Nero. Ele me ignora. Roma queima. Mais tarde Nero me manda um recado: quer me ver. Coloco meu terno mais novo, lustro meus sapatos italianos caros. Perto de seus aposentos, vejo um general difamando Nero. Me enfureço. Olho em seus olhos, ódio, e ele foge. Nero me atende deitado em um divã. Come muito, bebe como um louco. Amo Nero. Ele me olha, simula ternura, diz que, infelizmente, deverá cortar minha cabeça. A cidade, ou o que sobrou dela, me odeia, deseja minha morte. Nero aponta o polegar para baixo. Amo Nero. Me entrego sem resistências. Roma queima. No outro dia sou levado acorrentado para um jardim dentro do palácio. Roma me olha com nojo. Nero está inquieto. Abro os braços em sua direção, demonstrando minha entrega. Nero sussurra algo no ouvido de alguém que não conheço. Um sorriso escapa-lhe dos lábios. Sinto um frio nas minhas entranhas. Amo Nero. Fui traído. Penso na minha família e agradeço por estar longe deles. Minha presença é prejudicial. Amo Nero. Me ajoelho e estico meu pescoço, ajudando meu carrasco. Vejo a lâmina reluzente sair da bainha. Ouço armas serem engatilhadas. Amo Nero. Vejo minha dose de sódio tiopental, brometo de pancurônio e cloreto de potássio entrar na minha veia. Amo Nero. Ouço o governador ao telefone autorizando que liguem a chave e queimem a porra dos meus miolos todos de uma vez. "Queimem o filho da puta!" Roma urra. Roma queima. Meus estômago queima. Amo Nero.

Punheta

calhou cagar calado
cavucando o caralho
crac-crac-crac-crac
caudaloso - pensou,
calculista canalha
Catálogo de cópula?
Cupom de cópula?
Não! Acabava-se com letras
conhecidas.
estalando-as na boca.
Eu sou o Sol - pensou gozado

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