Um dia, anos atrás
ela me falou que olhava
para aqueles campos enormes
e se perguntava se um dia
as coisas seriam diferentes
Irmãos que se odiavam,
cores desbotadas,
brinquedos de menino.
Andava de mãos dadas
com as meninas.
Ingênua
Influenciada
Daí sorriram-lhe com fumaça
que saia de fábricas.
Não lhe deram luvas,
cortou as mãos
intoxicou os pulmões.
Esqueceu de aprender a falar
de perguntar
a família se dissolvia em álcool
Arranjou-se
Casou-se com um homem
que sofre de úlcera
toma calmantes.
Seu filho é um idiota inútil
que insiste no indizível
mesmo quando só basta
dizer "bom dia".
Notas e média final
Carlos,
você deveria ficar despreocupado
ser um burocrata é ótimo
a gente leva uma vida em prédios
cinzas, impessoais, envidraçados.
a gente bebe só nas sextas,
sorrimos sinceramente amarelo,
assistimos filmes estúpidos,
ouvimos músicas ruins,
lemos livros vazios, artigos inúteis,
inventamos técnicas de controle,
roteiros, mapas, multas, leis
Tudo isso nos deixa exausto!
- fica bem mais fácil dormir.
Nos colocamos nos nossos lugares
Criamos castas, humilhamos
Ah, Carlos! É tão bom viver vazio.
Fernando,
pra que criar preocupações?
Pra que fingir-se de triste?
Ninguém dá a mínima para poetas.
Pra que sonetos? Pra que ser outro?
É tão melhor não ser ninguém.
A gente dorme mais tranqüilo.
Amantes? Amor?
Pornografia, prostituição
A subjetividade é coisa de psicólogo
- um bando de mercenários.
Ah, Fernando! É tão bom viver vazio.
você deveria ficar despreocupado
ser um burocrata é ótimo
a gente leva uma vida em prédios
cinzas, impessoais, envidraçados.
a gente bebe só nas sextas,
sorrimos sinceramente amarelo,
assistimos filmes estúpidos,
ouvimos músicas ruins,
lemos livros vazios, artigos inúteis,
inventamos técnicas de controle,
roteiros, mapas, multas, leis
Tudo isso nos deixa exausto!
- fica bem mais fácil dormir.
Nos colocamos nos nossos lugares
Criamos castas, humilhamos
Ah, Carlos! É tão bom viver vazio.
Fernando,
pra que criar preocupações?
Pra que fingir-se de triste?
Ninguém dá a mínima para poetas.
Pra que sonetos? Pra que ser outro?
É tão melhor não ser ninguém.
A gente dorme mais tranqüilo.
Amantes? Amor?
Pornografia, prostituição
A subjetividade é coisa de psicólogo
- um bando de mercenários.
Ah, Fernando! É tão bom viver vazio.
Para Godot
Amanhã Godot vai chegar.
Vai me trazer flores e chocolates.
Ópio, sapatos, vai ficar segurando meu nariz
Trará a cabeça de João Batista numa bandeja
O White Album autografado
Meu amigo Luciano rejuvenescido.
Dicionários de línguas mortas
Enciclopédias de lugares inexistente
Beijos de atrizes mortas, em preto e branco
O Santo Graal, cheio de cerveja holandesa
Posiciono um franco atirador no telhado
Instruo-o a abrir um respiro bem no peito
Do primeiro homem com chapéu coco
Que dobrar a esquina
Godot, meu querido
Você não vê que o mundo quer sofrer
quietinho?
Vá embora daqui!
Vai me trazer flores e chocolates.
Ópio, sapatos, vai ficar segurando meu nariz
Trará a cabeça de João Batista numa bandeja
O White Album autografado
Meu amigo Luciano rejuvenescido.
Dicionários de línguas mortas
Enciclopédias de lugares inexistente
Beijos de atrizes mortas, em preto e branco
O Santo Graal, cheio de cerveja holandesa
Posiciono um franco atirador no telhado
Instruo-o a abrir um respiro bem no peito
Do primeiro homem com chapéu coco
Que dobrar a esquina
Godot, meu querido
Você não vê que o mundo quer sofrer
quietinho?
Vá embora daqui!
Dar um psicológico
Queriam que eu ficasse estudando o movimento REM nos olhos de um bando de gente idiota. Todos. Que eu ficasse registrando cada movimento, cada piscadela. Me ensinaram um método. Setas pra cima, pra baixo. Traços sublinhados ou quase invisíveis. O mundo em negrito. A dor em negrito.
Me deram um crachá bonito. A foto estava ruim. Opaca. Não me reconhecia, como era de se esperar. Riram uma vez e fechei a cara. Ri da foto de três pessoas que sorriram amarelo.
Fui promovido. Bebi até esquecer de tudo. Esqueci como deveria registrar os movimentos, mas logo me arrumaram um ajudante, um tipinho bem infeliz e esquecível, de uma cor estranha. Eu cuspia nele tudo que me incomodava no mundo, bem no rosto dele: o cheiro das pessoas no trem, o cheiro do trem. Cuspia todo café de coador de boteco na cara dele. Ele não reclamava. Pelo menos na minha frente. Ele me encarava rapidamente, depois baixava os olhos, indicando obediência, prestatividade, experiência. Nesse momento o amava, rápida e silenciosamente, pois parecia-mo perfeito, a quintessência da pós-modernidade. Psi-controlado.
Alguém havia, com certeza, dado um psicológico nele.
Me deram um crachá bonito. A foto estava ruim. Opaca. Não me reconhecia, como era de se esperar. Riram uma vez e fechei a cara. Ri da foto de três pessoas que sorriram amarelo.
Fui promovido. Bebi até esquecer de tudo. Esqueci como deveria registrar os movimentos, mas logo me arrumaram um ajudante, um tipinho bem infeliz e esquecível, de uma cor estranha. Eu cuspia nele tudo que me incomodava no mundo, bem no rosto dele: o cheiro das pessoas no trem, o cheiro do trem. Cuspia todo café de coador de boteco na cara dele. Ele não reclamava. Pelo menos na minha frente. Ele me encarava rapidamente, depois baixava os olhos, indicando obediência, prestatividade, experiência. Nesse momento o amava, rápida e silenciosamente, pois parecia-mo perfeito, a quintessência da pós-modernidade. Psi-controlado.
Alguém havia, com certeza, dado um psicológico nele.
Coração de plástico
Sou um coração de plástico que compõem hits inócuos para um verão bahiano que nunca chega.
Uma sombra de um homem que some dia a dia.
Não posso oferecer nada, nem conselho, nem copo d'água.
Não tenho dinheiro nem alma. Sou o resquício de um tempo que se foi.
Sou um demônio sem coração que compõem músicas distorcidas para inspirar a queima de igrejas na Noruega.
Uma sombra que espia os homens todos os dias.
Posso oferecer de tudo, planos diabólicos, sangue quente de galinha.
Tenho dinheiro e compro almas. Sou a estrela da manhã brilhando sempre forte.
Sou um cardiograma que compõe beats eletrônicos para festas de fetiche em Amsterdam.
Um impulso elétrico que movimenta o mundo desde o início.
Ofereço apenas minha eletricidade, meu ritmo ofegante, o pulsar.
Tenho vidas e ignoro as almas. Sou eu que permito que os homens meçam o tempo.
enviar recado cancelar
Uma sombra de um homem que some dia a dia.
Não posso oferecer nada, nem conselho, nem copo d'água.
Não tenho dinheiro nem alma. Sou o resquício de um tempo que se foi.
Sou um demônio sem coração que compõem músicas distorcidas para inspirar a queima de igrejas na Noruega.
Uma sombra que espia os homens todos os dias.
Posso oferecer de tudo, planos diabólicos, sangue quente de galinha.
Tenho dinheiro e compro almas. Sou a estrela da manhã brilhando sempre forte.
Sou um cardiograma que compõe beats eletrônicos para festas de fetiche em Amsterdam.
Um impulso elétrico que movimenta o mundo desde o início.
Ofereço apenas minha eletricidade, meu ritmo ofegante, o pulsar.
Tenho vidas e ignoro as almas. Sou eu que permito que os homens meçam o tempo.
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Marquei um six, um six, um six no meu coração.
Hoje pela manhã rezei para satã olhando para o sol.
Segui as instruções. Me ajoelhei e beijei a terra.
Passei a língua nos meu lábios engolindo ocre.
Me disseram que eu não sabia quem eu era e ri.
À tarde me arrependi. Já não lembrava do meu nome.
Hoje pela manhã votei em hitler olhando para o sol.
Segui as instruções. Marquei um six no meu coração.
Molhei a caneta no meu tinteiro sangrando azul.
Me disseram que eu não sabia o que eu era e ri.
À tarde me arrependi. Eu uivava alto no meu quintal.
Hoje pela manhã trabalhei no banco olhando para o relógio.
Não segui as instruções. Bati o cartão dez minutos atrasado.
Cantei a secretária na sua cadeira sem cor.
Me disseram que eu não sabia com quem eu estava falando e me calei.
À tarde me orgulhei. Mas matei meu orgulho com três cervejas e um caderno de empregos.
Segui as instruções. Me ajoelhei e beijei a terra.
Passei a língua nos meu lábios engolindo ocre.
Me disseram que eu não sabia quem eu era e ri.
À tarde me arrependi. Já não lembrava do meu nome.
Hoje pela manhã votei em hitler olhando para o sol.
Segui as instruções. Marquei um six no meu coração.
Molhei a caneta no meu tinteiro sangrando azul.
Me disseram que eu não sabia o que eu era e ri.
À tarde me arrependi. Eu uivava alto no meu quintal.
Hoje pela manhã trabalhei no banco olhando para o relógio.
Não segui as instruções. Bati o cartão dez minutos atrasado.
Cantei a secretária na sua cadeira sem cor.
Me disseram que eu não sabia com quem eu estava falando e me calei.
À tarde me orgulhei. Mas matei meu orgulho com três cervejas e um caderno de empregos.
Chimpanzés operadores de telemarketing.
Antes do expediente, chimpanzés operadores de telemarketing alongam-se, esticando tendões e aquecendo cordas vocais. Obedientes, evitam a LER. Os supervisores repetem palavras de estímulos, dizendo que àqueles que baterem suas metas serão entregues bananas extras. A macacada urra, ajustando-se nas baias, exceto um chimpanzé marxista, que ouve sem atenção, sonhando com Che pendurado em um galho, dividindo uma banana em mil pedaços.
não me atraso. acordo um pouco mais cedo, calculando congestionamento e motoboy morto estirado no asfalto. filho da puta, só para atrapalhar mais ainda o dia. não tem desculpa: são os dissabores da vida moderna, perfeitamente previsíveis. não posso (nem quero) perder o hálito podre matinal do meu chefe em minha nuca, entoando o mantra, "seviraimbecilseviraimbecilsevira".
no final do mês, um diabo verde sempre vem e me beija o rabo, despertando Kundalini e me fazendo ver tudo em doze vezes (sem juros! sem juros!). Amém, Satã, Amém.
no final do mês, um diabo verde sempre vem e me beija o rabo, despertando Kundalini e me fazendo ver tudo em doze vezes (sem juros! sem juros!). Amém, Satã, Amém.
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