Beware of Dog I

Sem paciência para o futurismo, virou cachorro e partiu.
Mesclava seu pianinho com outros sonzinhos.
Cançõezinhas de amorezinhos.
Tudo diminutivo
Puro fingimento.

Sentido

Odiava a aritmética, a física e a geometria desde cedo.
Sabia-lhes o envolvimento com a ordem natural das coisas.
Repugnava-lhe como os números eram frios e adivinhavam colisões, desbotamentos e rupturas.
O tempo adotou os algarismos como filhos.

Sentia falta da falta de sentido.
Saudade daquele linguajar sem palavras, onde tudo estava exposto através de gestos.
Previa finais de semanas felizes, odores nas roupas, sabores restritos.
Tudo com os olhos

Pergunta para seu sobrinho.
O que significa isso, e aquilo, e esse outro.
Ele respondia que tudo significava nada.

Mas essa lição logo é esquecida.
Um convite para dizer não
A idade para fazer isso
Teria sempre afagos, que dizia não gostar
Teria sempre atenção, que dizia não precisar
Mas ansiava por tudo aquilo
Se alimentava disso
Mas sentia vergonha
Não sabia dizer-se gente
Não queria aceitar sua pele
Que vibrava exalando cheiros

Queria a morte
só para saber mais o que era a vida

Twitter / droeee

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