Sr. F.

Acho que meu medo em tornar-me seu amigo novamente não passa de um desejo de não querer olhar para o abismo mais uma vez. Esse flerte com um satã suburbano, essa piada de encontrar um alinhamento entre os prédios de nosso bairro... tudo isso me cansou. A verdade é que somos apenas sociopatas frustrados, esperando que a desordem chegue, mas com essa preguiça movida a cannabis ficaríamos apenas olhando o sangue de crianças escorrendo pela rua através da sacada suja de sua casa.
Essas técnicas medievais de espionagem, essa pseudo-KGB de quintal, só me mostram o quanto somos tolos. Sabe, você nunca leu aquele livro que sempre te recomendamos, O Pêndulo de Foucault. Mas eu serei um bom spoiler e te contarei o final: o segredo é não haver segredo algum. Pronto, te contei. E saiba que isso não te tira a necessidade de lê-lo. Ter um acessor para ler livros para você está no mesmo nível de arrumar um amante para sua mulher. Mas, volto, essa lição sobre "o segredo" é difícil de ser aprendida. Hoje tenho toda a verdade jogada na minha cara, quase como um furúnculo que me surgiu na testa e que não posso esconder.
O médico pediu para que eu não colocasse a mão. Eu cago, não lavo a mão e cutuco a ferida. Depois choro copiosamente.

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