Língua

Devia ter por volta de uns oito anos. Estava sentado, com meu tio, tia e primos. O Márcio, primo meu que foi como o irmão que eu não tive, perguntou para meu tio, pai dele, porque os adultos gostavam de sabores que as crianças achavam ruins. Meu tio Mauro, que nunca dava (deu) o braço a torcer na nossa frente, começou com uma explicação pseudo-científica pra lá de boa, dizendo que a língua envelhecia e com isso o paladar mudava. Era uma época em que meu pai já começava a deixar de ser o cara mais forte do mundo, mas eu ainda assim ouvia os mais velhos com profunda admiração, como seu eles soubessem de tudo.
Aquilo, do paladar mudar com o tempo, nunca me saiu da cabeça.
Redescobri sabores puros. Que só eu consigo perceber.

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