Esse véu não cai bem em ninguém e quando me vejo o usando não mais sinto raiva mas apenas esse choro que brota sem controle apontando erros erros e mais erros. Essa repetição, sempre em três, pouco tem a ver com retoques estilísticos, mas com a tentativa de expurgar isso tudo de uma vez. Vem como uma santíssima trindade capenga e desbotada, como aquele homem que tirava fotos na frente daquela igreja naquele ano já longínquo. Meu deus. Me lembro que já me falavam com aquele sotaque da califórnia que meus olhos mostravam que eu tinha visto muito e isso foi tempos atrás. Naquele sotaque do norte da califórnia e tudo o que eu desejava era voltar pra casa e ver mais nada. Deitar na minha cama e desaparecer. Mas eu ainda vi mais e mais e mais. Três.
O véu, ia me esquecendo. Ele é feio e tem cheiro de mofo. E quando o coloco na cara ele sufoca com esse odor podre de tempos imemoriais. O tempo. O passado. Queria eu me agarrar nele, ficar me desfrutando e selecionando coisas colocadas em meu armário. Mas não é nada disso. Leio alguém me falando que devo ter usado Botox. Tenho raiva dessa síndrome de peter pan (pedra, pedro, lobo) que me faz sentir vontade de ter um filho ao ouvir billie jean e me lembrar dos meus cinco anos, tentando ver o clipe na tela da televisão pequena do restaurante do meu primo mais velho. Velho. Trinta e um anos e me sentindo com quinze e noventa ao mesmo tempo. Deslocado. O véu. O véu me gruda na cara novamente. Tiro ele sufocado, ele me faz chorar copiosamente. Ruidosamente.
Converso por essa tela no qual escrevo tudo isso e ela me conforta. Fala o quanto tem medo dessas bobagens. Do tamanho desse meu coração bobo e da forma desajeitada que tenho para equlibrá-lo dentro do meu peito colorido. Tenho um tigre preso em uma cabaça, ele se contorce no espaço pequeno. Ele ruge com o cheiro do véu.
Esse véu da inocência não me cabe. Ele é horroroso.