Me livro de todas as máscaras que me colocaram.
Nunca estiveram lá.
Acreditei me barbado quando meu coração batia imberbe.
Mergulho em mim e choro um choro morno.
Sem venenos.
Sem cobranças.
Realmente limpo.
Querendo-me assim.
Reencontro-me mais puro e doce.
Apagando os trocadilhos com meu nome.
Aqueles três relógios que se quebraram em minhas mãos...
Sou grato a tudo.
Sou grato aos rótulos aburdos que recebi.
E as máscaras que acabei usando.
Sou um macaco metamorfoseando-se.
De chimpanzé para um macaco japonês.
Mergulhado em piscinas vulcânicas.
Não esqueço minha história.
Ela não se cobre com tintas de nenhuma espécie.
Nem me esquecendo de amigos queridos.
Pessoas que amarei por toda a vida.
As palavras têm agora um novo sabor.
Olho para frente e vejo o que plantei anos atrás.
Crescendo em flores amarelas.
Imunes aos narcóticos que se revelam amargos.
Têm gosto doce.
Têm cheiro bom.
Acordo e vejo essas paredes de blocos cinzas.
Privilegiado.
Me sinto em casa novamente.
Mas com um paladar mais apurado.
Com todos os sentidos mais aguçados.
Abro-me para o futuro.
Sabendo que
Tentar esquecer o passado é estúpido.
Mais uma vez, obrigado Brecht.