Ele olha para a parede negra e descobre frestas de onde sai uma luz confortável e segura ele esteve parado lá cerca de um ano e meio atrás procurando entender mas não entendia apesar do formigamento causado pelo chá insinuar que a resposta estava lá mas ele ignorou. Depois de um ano viu cores rosas de produtos lindos e inúteis líquidos tudo líquido cores vivas machucam os olhos queimam a retina e têm gosto de peixe. Tiká. Ouvia sobre uma casa podre e se sentiu em lugar algum sem nada. Sentiu que ali não era seu lugar mas que também seu refúgio não existia mais. Amaldiçoava tudo em parceria. Ficava lá ouvindo aquela angústia juvenil hipócrita explodindo para todos os lados mas sem nunca olhar para seu próprio umbigo bonito. Sentiu que não havia mais lugar nenhum. Um lobo da estepe olhando para a casa da vizinha e seu pinheirinho nada fazia sentido e aqueles eram dias em que não sentia graça alguma de ficar cuspindo fogo com sua metralhadora falsa e frágil. Sentiu que ele comeria peixes multicoloridos durante anos e anos e que tudo que ele ouvia não passava de peixes coloridos escorrendo pelas bocas coloridas de pessoas igualmente coloridas. Quis pintar-se de branco virar um gato mas tudo era logo posto pra baixo intitulado de ridículo e colorido por vozes mais coloridas ainda. Estava no lugar errado andando para trás e fazendo cara de anjo mas com pés de curupira. cuspia ódio e água gelada.
Agora espera por novas cores e eternas interpretações do que virá. A moça lhe manda um beijo fotográfico congelado pra sempre. Lembra do cachorro da dona da banca de revista da cidade onde passava as férias de janeiro e fica triste porque talvez ele esteja morto. Pensa nas rugas e nas flores de cerejeira tão lindas mostrando o quanto a vida é breve.