Já não era mais a falta do sal na superfície que o deixava desolado. O que lhe tirava o ânimo era a maneira intermitente, mas inexorável, com que a água lhe sulcava a face, de maneira cada vez mais profunda. Entendia agora o porquê já não temia esquecer o gosto do sal que antes lhe temperava a cara. Era o lento descarnar das faces que deveria temer. Amedrontar-se com o simples bater na porta das lembranças que não conseguia defenestrar de sua memória de homem velho.

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