Flavor Flavio

Me lembro que, quando nos despedimos, ele tentava vender um carro por oitocentos reais para ter onde morar. Quer dizer, para ter onde dormir no mês seguinte. Caso não conseguisse fazer a venda, ele ia alugar um carro, que ficaria disponível para ele das vinte até às oito. Ia ser a casa dele.
Língua estranha. Só sabia falar "cool". "cooooool". Entendia porra nenhuma.
Mas era forte. Sempre soube disso. Todos nós. Sabia que ia para o lugar certo, onde poderia pegar sua inquietação e transformá-la em sucesso, não frustração.
Ontem o deixei, junto com sua esposa, na casa de sua mãe. Está de visita em sua cidade. Um turista em sua cidade natal. Peças novas na cabeça. Método correto. A forma certa de se fazer. Me alimento do que fala.
Sinto um orgulho que não conseguiria entender antigamente. Agora fico de peito estufado por ver um amigo querido tão bem.

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