Me lembro que, quando nos despedimos, ele tentava vender um carro por oitocentos reais para ter onde morar. Quer dizer, para ter onde dormir no mês seguinte. Caso não conseguisse fazer a venda, ele ia alugar um carro, que ficaria disponível para ele das vinte até às oito. Ia ser a casa dele.
Língua estranha. Só sabia falar "cool". "cooooool". Entendia porra nenhuma.
Mas era forte. Sempre soube disso. Todos nós. Sabia que ia para o lugar certo, onde poderia pegar sua inquietação e transformá-la em sucesso, não frustração.
Ontem o deixei, junto com sua esposa, na casa de sua mãe. Está de visita em sua cidade. Um turista em sua cidade natal. Peças novas na cabeça. Método correto. A forma certa de se fazer. Me alimento do que fala.
Sinto um orgulho que não conseguiria entender antigamente. Agora fico de peito estufado por ver um amigo querido tão bem.