Grigory Perelman havia se cansado do rótulo de excêntrico. Não aguentava mais as expressões de espanto, repulsa ou de sarcasmo. Estava cansado de saber que seus vizinhos o tinham como um doido que morava com a mãe em uma casa infestada de baratas. Estava cansado de ouvir que ele deveria, ao menos, receber o prêmio de um milhão de dólares, oferecido pelo Instituto Clay de Matemática, por ter solucionado a conjectura de Poincaré, e doar a quantia para uma instituição de caridade.
Mas o que mas irritava Grigory era ler sobre pessoas que diziam que ele era seu tipo de homem, um herói-anti-herói, um exemplo. Ele sabia que de perto ninguém o aguentaria, que todos esses que se dizem ser apaixonados pela personalidade de Van Gogh não iriam aguentar ver aquele esparadrapo sujo por baixo dos cabelos ruivos por muito tempo. Em duas semanas estariam desesperados, ligando para suas mães, querendo voltar para o aconchego de suas vidas planejadamente melancólicas. De longe, todos os malucos são sedutores. De perto, são pessoas que precisam ser lavadas, medicadas e observadas. Um fardo.
Grigory então resolveu aceitar o um milhão de dólares.
Grigory colocou todo o dinheiro em uma sacola.
Grigory encomendou um milhão de dólares em baratas.
Agora os vizinhos dormem arrependidos. Sabem que Grigory soltou um milhão de dólares em baratas no porão de sua casa. Ele as adora.