O homem se sente sozinho com suas criações, pois não há outro ser que possa entendê-las. Todas as idéias, músicas, histórias, civilizações, invenções, enfim, tudo o que é produto da cultura humana não tem nenhum sentido além do olhar de seu próprio criador. E talvez isso o angustie demasiadamente, ao ponto em que ele é obrigado a inventar seres que o entendam, assim como as crianças criam amigos imaginários para apaziguar a solidão.
O homem se debruça sobre os símios buscando, enfim, a similaridade. Cria softwares, computadores, estabelece novos jogos de linguagem. Os símios respondem ao homem sabe-se lá o quê. O homem cataloga os cães como únicos seres que sentem satisfação em agradá-lo. O homem não se cataloga como ser que quer manter contato com qualquer animal. Qualquer um. Pobre coitado.
É possível que não só o homem, mas toda sua produção sejam consumidos pela insaciabilidade do oxigênio, sem nunca termos recebido um olhar que mostrasse um pouco mais de inteligibilidade sobre a manifestação cultural humana. Talvez nunca toquem aquele disco do Chuck Berry, dentro daquele satélite que viaja próximo a Saturno.
Só o oxigênio salva.